Entrevista - a crise econômica, um acidente por natureza - Paul Virilio

Entrevista de Gérard Courtois e Michel Guerrin e publicada pelo jornal Le Monde, 18-10-2008. A tradução é da Agência Carta Maior, 19-10-2008:

Em 2002, sob o título “O que acontece”, você apresentou à Fundação Cartier uma exposição sobre o acidente na história contemporânea: Chernobyl, 11 de setembro, tsunami...Uma fórmula de Hannah Arendt guiava sua demonstração: “O progresso e a catástrofe são as duas faces de uma mesma moeda”. Com o crash das bolsas, onde estamos?

De fato, em 1979, no momento do acidente da central nuclear de Three Mile Island, nos EUA, eu evoquei um “acidente original” - desses que nós mesmos fabricamos. Eu dizia que nossas proezas técnicas são grandes promessas catastróficas. Antes, os acidentes eram locais. Com Chernobyl, passamos aos acidentes globais, às conseqüências inscritas na duração. O crash atual representa o acidente integral por excelência. Seus efeitos se difundem ao longe, e ele integra a representação dos outros acidentes.

Faz trinta anos que se produz o impasse sobre o fenômeno de aceleração da História e que essa aceleração é a fonte de multiplicação dos grandes acidentes. “A acumulação põe fim à impressão de acaso”, dizia Freud a propósito da morte. Sua palavra-chave aqui é acaso. Esses acidentes não são casuais. Nos satisfazemos neste momento em estudar o crash das bolsas sob o ângulo econômico ou político, com suas conseqüências sociais. Mas não se pode compreender o que se passa se não se põe sob investigação uma economia política da velocidade, gerada pelo progresso das técnicas, e se não a relaciona ao caráter acidental da História.

Vamos dar só um exemplo: dizemos que tempo é dinheiro. Eu acrescento que a velocidade – a Bolsa o prova -, é o poder. Nós passamos de uma aceleração da História a uma aceleração do real. É isso o progresso. O progresso é um sacrifício consentido.

Não estudamos os acidentes suficientemente?

A historiografia dominante se limita a analisar os fatos de longa duração. Eu defendo, ao contrário, uma história acidental, feita unicamente de rupturas. O historiador François Hartog fala do “presentismo” dominante. É preciso ir além. Nós vivemos no “instantaneísmo”.

Para compreender os acidentes, é preciso estudá-los, mas também os expor. O acidente é uma invenção, um trabalho criativo. Quem, melhor que os artistas, poder fazer sentir a dimensão trágica do progresso? Daí a exposição “O que acontece” - nela eu abordava o crash da bolsa -, que prefigurava um museu ou um observatório dos grandes acidentes a que chamo de meus votos. Não para causar medo, mas para enfrentar.

Como definir, para além de seu aspecto de surpresa, o acidente das bolsas?

Como para todo acontecimento contemporâneo, é preciso levar em conta uma série de sincronizações em nível mundial. Sincronizações de hábitos, de costumes, de maneiras de reagir, mas também das emoções. Passamos de um comunismo de classe a uma mundialização instantânea e simultânea dos afetos e dos medos – e não mais das opiniões. Foi o caso do World Trade Center ou com o tsunami.

Com este crash da bolsa é a mesma coisa. Depois de uma curta fase técnica – quebra de bancos, queda de preços -, passamos a um período de “histericização” exagerada das reações. Fala-se de “loucura dos mercados”, de reações “irracionais”, quase de fascinação pelo fim do mundo. Os terroristas compreenderam muito bem esse fenômeno e jogam com ele.

Você crê como certo que o capitalismo se aproxima do seu fim?

Penso antes que é o fim que se aproxima do capitalismo. Eu sou urbanista. O crash mostra que a terra é pequena demais para o progresso, para a velocidade da História. Daí a repetição dos acidentes. Nós vivemos com a convicção de que temos um passado e um futuro. Ora, o passado não passa; ele se tornou monstruoso, ao ponto em que não o tomamos mais como referência. Quanto ao futuro, ele é limitado pela questão ecológica, o fim programado dos recursos naturais, com o petróleo. Resta, portanto, o presente a habitar. Mas o escritor Octavio Paz dizia: “O instante é inabitável, como o futuro”. Nós estamos vivendo isso, inclusive os banqueiros.

É aqui e agora que isso está em jogo. Um novo aspecto se criou. Não é a finitude que é triste, é a realidade. É preciso aceitá-la. O crash nos ensina que é preciso vivê-lo na sua grandeza própria, num mundo acabado. Nós temos uma obrigação de inteligência de fazer isso.

A finança não inventou um mundo virtual?

A velocidade fazia com que se ganhasse dinheiro, a finança quis impor o valor-tempo ao valor-espaço. Mas o virtual também faz parte da realidade. E além do mais, o soi-disant mundo virtual, no qual se pode englobar paraísos fiscais, é o do exotismo, que eu assimilo ao do colonialismo; é o mito de um outro planeta habitável.

À diferença dos outros acidentes, o crash da bolsa permanece hermético à maioria do público. Isso é grave?

Não compreendemos, mas intuímos e isso é suficiente. É preciso intuir o que acontece. Evidentemente, a incompreensão reforça o medo. Mas, ao mesmo tempo, não temos mais tempo de ter medo. O mais inquietante é a aparição de uma dissuasão civil, individual, íntima, que ganha todos os domínios da vida. Somos dissuadidos de fazer tal ou tal coisa como indivíduos. Desde o 11 de Setembro fomos tomados por um medo civil, em função da industrialização do acidente. Para verificar a solidez dos automóveis, efetuamos os testes de colisão. O crash da bolsa é um teste de colisão de natureza grandiosa. Até o divórcio se industrializa. Poderia se introduzir uma cotação nos divórcios, como para medir se o casal e a família se tornaram ilusões.

Pode-se falar de moral do crash, no sentido em que ele também pune aqueles que ganham fortunas?

Eu não sou um justiceiro. Compreendo os críticos que dizem que alguns obtiveram lucros indecentes. Eu não nego os estragos da acumulação de riquezas. Mas criticar essa aceleração dos lucros e da História, essa “avareza galopante”, como dizia Eugène Sue, permanecer no quadro materialista do lucro é uma análise redutora, insuficiente.

O que está em jogo é mais sofisticado e grave. Nós passamos por algo de uma outra natureza. Essa economia da riqueza se tornou uma economia da velocidade. É de resto o problema da esquerda. Eles aplicam os velhos esquemas, proclamam a morte do capitalismo, esperando mais justiça social. Esse diagnóstico é um pouco apressado. Temos realmente um grande bebê no colo...Se o Estado não assume a medida desse futurismo do instante, poderíamos ao contrário ver chegar um capitalismo sem limites.

Você disse que “A Airbus, ao inventar um avião de 800 lugares, criou 800 mortos potenciais”. Mas o crash das bolsas não causou mortes...

Não é a peste, não há milhões de vítimas, não é tampouco o 11 de Setembro. E não é a mortalidade que conta agora, afora alguns suicídios. As vítimas são outras. De onde parte a crise atual? Dos subprimes, das casas à venda a crédito em condições impossíveis. Do solo. As vítimas são algumas centenas de milhares de pessoas que perderam suas casas. A noção de sedentariedade já está posta em causa com os imigrantes, deportados, refugiados, o deslocamento das empresas, etc. O fenômeno vai se acentuar. Até 2040, um milhão de pessoas serão forçadas a se mudarem do lugar em que vivem. Eis aí as vítimas. Nós estamos na noção do stop/eject. Paramos e ejetamos.

Você acredita no caos?

Depois do sistema financeiro haver se destabilizado, o crash ameaça desestabilizar o Estado, a última garantia de uma vida coletiva. Neste momento ele tenta tranquilizar. Mas se a Bolsa continua a cair, é o Estado que irá à falência, e porá as nações no caos. Não se trata de catastrofismo de minha parte. Eu não acredito no pior, não acredito no caos; é absurdo, é arrogância intelectual, mas não se deve se impedir de pensar. Diante do medo absoluto, eu oponho a esperança absoluta. Churchill dizia que o otimista é alguém que vê uma oportunidade em cada calamidade.

fonte: http://metamorficus.blogspot.com/2008/10/paul-virilio-por-uma-histria-das.html

Palestra - Mashup na Web - aplicativo de banco de dados e Google Maps

Sepex 2009 - 8ª SEMANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO DA UFSC
Aírton José Ruschel, Aires José Rover, Nelson Luiz Rocha Silveira
Mashup Egov

The Secret - Planet Earth

"Doutor" não é forma de tratamento

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - COMARCA DE NITERÓI - NONA VARA CÍVEL

Processo n° 2005.002.003424-4

S E N T E N Ç A

Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por ANTONIO MARREIROS DA SILVA MELO NETO contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO LUÍZA VILLAGE e JEANETTE GRANATO, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de senhor.

Disse o requerente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para dar a ele autor e suas visitas o tratamento de "Doutor", "senhor" "Doutora", "senhora", sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários mínimos.

DECIDO.

"O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter." (Noberto Bobbio, in "A Era dos Direitos", Editora Campus, pg. 15).

Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo. Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito. Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito. Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente.

Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude. Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida.

"Doutor" não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário. Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de "doutor", sem o ser, e fora do meio acadêmico. Daí a expressão doutor honoris causa - para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa de homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame. Por outro lado, vale lembrar que "professor" e "mestre" são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado.

Embora a expressão "senhor" confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.

O empregado que se refere ao autor por "você", pode estar sendo cortês, posto que "você" não é pronome depreciativo. Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação. Fala-se segundo sua classe social.

O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe "semi-culta", que sequer se importa com isso.

Na verdade "você" é variante - contração da alocução - do tratamento respeitoso "Vossa Mercê".

A professora de lingüística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas freqüências do pronome "você", devem ser classificados como formais. Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de "seu" ou "dona", e isso é tratamento formal.

Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente.

Na edição promovida por Jorge Amado "Crônica de Viver Baiano Seiscentista", nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que "você" é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro/São Paulo, Record, 1999).

Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes.

Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de "você" e "senhor" traduz-se numa questão sociolingüística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais.

Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade.

Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa. P.R.I.

Niterói, 2 de maio de 2005.
ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO
Juiz de Direito

Brasil - país do futuro

O Brasil vive momentos paradoxais, boas e más notícias simultaneamente acontecem. A boa notícia é que boas notícias estão sendo anunciadas. Dizem até que o país do futuro talvez esteja começando a acontecer.

Mas não podemos ser ingênuos, o trabalho mal começou, a ver o tempo que perdemos no passado...

fonte: revista veja,set 09

Entrevista - O negócio é ser verde - Élisabeth Laville

por Paula Neiva


O que a senhora acha de ações como a dos supermercados brasileiros que deixaram de comprar carne e soja produzidas em áreas devastadas ilegalmente na Amazônia?
Acho que qualquer um que possua alguma influência nesse sentido deve usá-la, pois a responsabilidade nesse terreno é de todos. Se o consumidor sabe que comer muita carne vermelha não é bom para a saúde, como dizem os estudos de cardiologia há duas décadas, e que sua produção tem impacto nas mudanças climáticas, é sua responsabilidade comer menos carne. A carne responde por 20% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no mundo. A partir do momento em que recebo essas informações, fazer algo é minha responsabilidade como consumidora. O mesmo vale para aqueles que comercializam os produtos no ponto de venda. Até porque eles sabem melhor que o consumidor final a procedência dos artigos e as condições em que são produzidos.

Empresas cuja atividade é necessariamente poluente, como as que extraem minérios ou petróleo, conseguem compensar os danos ao meio ambiente com investimentos em projetos sociais ou ambientais?
Esse é um primeiro passo. A solução é criar modelos de negócio sustentáveis para substituir os antigos. A companhia petrolífera BP anunciou que em trinta anos deixará de ser uma produtora de petróleo para se tornar uma produtora de energia, com 50% dela proveniente de fontes renováveis. Se isso de fato acontecer, será um exemplo de troca de um modelo não sustentável por um sustentável. Um caso curioso é o das empresas de coleta de lixo. Elas vendem a ideia de que são sustentáveis porque tratam o lixo produzido pelos outros. No entanto, seus lucros crescem com o aumento da produção de lixo, o que não é nada sustentável. O que essas empresas precisam fazer é criar soluções para faturar com a redução do lixo produzido. Para isso, elas poderiam desenvolver tecnologias que ajudassem as indústrias a desperdiçar menos. Ou trabalhar em parceria com os municípios, de maneira a transformar o lixo em produtos. São Francisco, nos Estados Unidos, transforma lixo orgânico em adubo usado nos vinhedos do Vale do Napa.
"Plantar árvores não é o suficiente para uma companhia convencer o consumidor de que protege o ambiente. É preciso fazer mais"
É ético tentar vender produtos apelando para o fato de que a empresa usa uma parte de seu lucro para plantar árvores?
Existem pesquisas de mercado mostrando que esse tipo de propaganda não convence o consumidor de que a empresa está realmente comprometida com a sustentabilidade. Plantar árvores é apenas o primeiro estágio para que uma empresa se torne sustentável. Mas talvez seja o sinal de que está disposta a promover outras mudanças.
Em sua opinião, o barulho feito por entidades como o Greenpeace pode mudar a cultura das empresas que elas criticam?
O Greenpeace tem o mérito de, muitas vezes, saber mais sobre determinadas questões de uma empresa do que ela própria. Eles são assessorados por bons especialistas e produzem relatórios de qualidade. O Greenpeace fez uma campanha contra os lenços de papel produzidos pela Kimberly-Clark, que cortava árvores da floresta para fabricá-los. Essa empresa anunciou mudanças, como o uso de madeira certificada e papel reciclado. O Greenpeace acabou estabelecendo uma parceria.
Empresas como Wal-Mart e McDonald’s, que eram vistas como inimigas do meio ambiente, não são mais tratadas como vilãs. Mudou a forma de essas companhias trabalharem ou mudou a posição dos ecologistas?
Houve mudanças nos dois lados. Ambas estão mais abertas ao diálogo. Recentemente, o Green-peace procurou minha empresa porque estava produzindo um guia sobre sustentabilidade e queria citar ações positivas de um cliente meu. A princípio, o cliente nem sequer queria se reunir com os representantes da entidade, porque achava que ela tinha planos de prejudicá-lo. Mas não era nada disso. Eles apenas buscavam informações positivas sobre a empresa.
Colaborações entre empresas e ONGs são mais frequentes hoje do que quando a senhora começou a trabalhar na área ambiental, em 1993?
Sim. Muitas empresas já percebem que, para se tornar mais sustentáveis, precisam de colaboração. Há algum tempo, a Unilever enfrentou um problema de ordem prática. O bacalhau congelado que ela vendia estava acabando no mar. A solução foi buscar uma parceria com a organização ambientalista World Wildlife Fund (WWF), que a ajudou a desenvolver um projeto de pesca sustentável. Ao colaborarem, todos ganham.
Depois dos carros, os aviões são os vilões da vez entre os ambientalistas, pela poluição que seus motores produzem. É possível, num mundo globalizado, pedir que as pessoas viajem menos de avião?
Sim. O avanço da tecnologia tende a facilitar esse comportamento. Muitas viagens podem ser evitadas substituindo-se os encontros de negócios por reuniões virtuais via computador, por exemplo. Por enquanto, o mais importante é fazer com que as pessoas tenham conhecimento de que suas viagens têm impacto sobre o meio ambiente, já que os aviões emitem grande quantidade de CO2. Para vir ao Brasil, paguei uma taxa extra, de 120 euros, que será usada para compensar o impacto ambiental resultante da viagem. Não só as passagens de avião, mas também outros produtos, terão de incorporar no seu preço uma compensação pelo impacto ambiental que provocam.
Como combater a poluição causada pelos carros?
O ideal é que se use o carro o mínimo possível. É claro que, quanto maior a mobilização da sociedade e do governo para facilitar que o o carro fique na garagem, melhor. Isso inclui investimentos em transporte público, mas também ações sociais, como a Vélib, em Paris. Milhares de bicicletas foram espalhadas em pontos específicos da cidade e podem ser utilizadas pela população a um preço muito baixo. Essa ação visa a estimular o cidadão a trocar o carro pela bicicleta em trajetos curtos, sem precisar comprá-la, o que é muito ecológico. É bom para o ambiente e para a saúde. Eu mesma, que moro em Paris, uso esse sistema e evito, sempre que possível, andar de carro e de avião.
Que outras atitudes sustentáveis a senhora incorporou à sua rotina?
Depois que tive minha filha, hoje com 4 anos, fiquei radical quanto a determinadas questões. Ela entrou para a escola recentemente, e constatei que os alimentos servidos lá eram ricos em gorduras e carboidratos. Disseram-me que seria impraticável adotar um novo cardápio sem que outras instituições aderissem a ele. Procurei essas escolas e consegui que aderissem à mudança na alimentação das crianças. Ou seja, mesmo atitudes simples podem ter impacto para as gerações futuras. Não consigo entender por que as pessoas não se preocupam com o mundo que deixarão para seus descendentes. Na Europa, onde uma parte da população costuma esquiar, os adultos não pensam que, ao ter atitudes antiecológicas, privarão seus filhos ou netos do esporte. Dez por cento das estações de esqui dos Alpes estão sob risco de fechar, pois não há mais neve como antes. Outro hábito que incorporei foi comprar produtos de limpeza e alimentos orgânicos. Essas atitudes podem ter enorme impacto na saúde de todos.
Os alimentos orgânicos costumam ser bem mais caros. Não é inviável popularizá-los?
Nos últimos trinta anos, o dinheiro que os franceses gastam com comida caiu pela metade. Os alimentos ficaram mais baratos, mas não necessariamente mais saudáveis. No mesmo período, os gastos com saúde dobraram. A princípio, pode parecer ótimo sinal o fato de a comida ficar mais barata, mas não é bem assim. O baixo preço significa que ali não estão incluídos os gastos sociais, ecológicos nem os de futuros problemas de saúde decorrentes do uso de agrotóxicos, por exemplo. Um estudo feito pela WWF com mulheres de três gerações mostrou que a concentração de substâncias químicas no corpo das crianças era maior do que no das jovens. Estas, por sua vez, tinham no organismo concentração maior do que no das mais velhas. Ou seja: de uma geração para outra, houve um aumento de substâncias tóxicas. O contato com agentes poluentes cresceu tanto no ambiente externo como dentro de casa.
É possível tornar os alimentos orgânicos mais baratos?
Acho que é uma questão de tempo até que a exceção se torne regra. Se todos começarem a exigir orgânicos no mercado, eles vão baratear. Foi o que aconteceu com outros produtos, como o ar-condicionado dos carros, que antes era usado por poucas pessoas, e o telefone celular, que custava caríssimo e hoje pode sair de graça. É uma questão também de escolha do comprador. Na França, há um sistema interessante, que consiste em pagar uma quantia mensal a uma rede de produtores, e semanalmente eles entregam na sua casa uma cesta com os melhores alimentos disponíveis. Isso facilita o processo produtivo sustentável, pois se recebe o que foi produzido naquela estação, por produtores locais, sem gastar combustível para importar produtos de outros países.
Em sua viagem pelo Brasil, que iniciativas ecológicas a surpreenderam positivamente?
Passei alguns dias em um vilarejo perto de Fortaleza chamado Prainha do Canto Verde, que se mantém de maneira sustentável, vive da pesca e evita publicidade para não atrair turistas demais. A comunidade é organizada, e os jovens têm plena noção de que a preservação do local é o que vai garantir seu sustento. Perguntei a esses jovens se gostariam de ir para os centros urbanos. Eles não querem, pois sabem que, numa grande cidade, fatalmente acabariam em favelas. Também soube de outros casos interessantes de iniciativas sustentáveis, como o dos produtores de café que plantam árvores e cultivam café sob elas, protegendo a floresta.
O que a surpreendeu negativamente no país?
As cidades, que não têm planejamento. Elas vão se espalhando. São Paulo, por exemplo, é como Los Angeles, que força o cidadão a usar o carro e mantém o padrão viver-trabalhar-comprar. Um amigo meu, que mora há anos em Los Angeles, ficou sem carro pela primeira vez pouco tempo atrás e simplesmente se sentiu perdido, sem poder se deslocar direito.
Como a senhora vê o dilema entre preservar a Floresta Amazônica e desmatar parte dela para produzir riquezas?
A questão difícil sobre a Amazônia é que, preservada, ela oferece um benefício gratuito, mas não lucrativo. Talvez a solução seja encontrar uma forma de calcular quanto aquele ecossistema preservado representa, estabelecer um valor para que ele seja preservado, tornando-o viável economicamente também para as pessoas que estão deixando de ganhar dinheiro ao manter as árvores. O ecossistema preservado pode ser trocado por créditos de carbono.
Fonte: Revista veja, 16 set 09

Evento - Estado Constitucional cooperativo

PROCAD/Colóquio sobre Estado Constitucional cooperativo
Centro de Ciência Jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Data: 21 de outubro de 2009


09:00 - Abertura dos trabalhos:

Prof. Dr. Antonio Carlos Wolkmer (UFSC)

Prof. Dr. Orides Mezzaroba (UFSC)

Profª. Drª. Mirta Lerena Misailidis (UNIMEP)

Profª. Drª. Maria Aurea Baroni Cecato (UFPB)

Prof. Dr. Vladmir Oliveira da Silveira (PUC/SP-FADISP)

09:15/11:00 - Painel I

Prof. Dr. Vladmir Oliveira da Silveira (PUC/SP-FADISP)

Tema: Os Direitos Humanos na perspectiva do Estado Constitucional cooperativo

Prof. Dr. Rui Décio Martins (UNIMEP)

Tema: Tribunais Internacionais: Crimes contra a humanidade

Moderador: Prof. Dr. Orides Mezzaroba (UFSC)

11:00/11:15 - Intervalo

11:15/13:00 - Painel II

Prof. Dr. João Maurício Adeodato (UFPE)

Tema: Direitos Humanos e a crise do direito pós-moderno

Profª. Drª. Mirta Lerena Misailidis (UNIMEP)

Tema: Legitimidade das centrais sindicais brasileiras diante do Estado e a sociedade global

Moderador: Prof. Dr. Aires José Rover (UFSC)

13:00/15:00 – Intervalo para almoço

15:00/16:45 - Painel III

Prof. Dr. Ricardo Hasson Sayeg (PUC/SP)

Tema: Inter-relações econômicas dos Estados Constitucionais

Prof. Dr. Willis Santiago Guerra Filho (PUC/SP)

Tema: Princípio da proporcionalidade: o processo na Constituição

Moderador: Prof. Dr. Matheus Felipe de Castro (UFSC)

16:45/17:00 – Intervalo

17:00/19:00 - Painel IV

Profª. Drª. Maria Aurea Baroni Cecato (UFPB)

Tema: Preceitos Constitucionais concernentes à tutela do emprego.

Adaumirton Dias Lourenço (UFPB)

Tema: Princípio da despersonalização da figura do empregador enquanto instrumento de proteção ao crédito trabalhista.

Awdrey F. Kokol (UNIMEP)

Tema: O papel dos sindicatos no Século XXI

Carol Manzoli Palma (UNIMEP)

Tema: Atividades empresariais e reparação do dano ambiental

Fábio Maia (UFSC)

Tema: A eficácia e a incorporação das normas de Direitos Humanos na ordem jurídica brasileira pós EC 45 e sua análise jurisprudencial

Ildankaster Muniz (UFPB)

Tema:Terceirização e repercussões nas condições de trabalho.

Mariana Petit (UFPB)

Tema: Economia solidária e precarização das relações trabalhistas.

Moderadora: Msc. Daniela Menengoti Ribeiro (PUC/SP)

Palestra - Impactos da nova geração da Web no governo eletrônico

Universidade Federal de Santa Catarina
Curso de pós graduação em engenharia e gestao do conhecimento, EGC
Pós internacional sobre Democracia eletrônica
Governo eletrônico e inclusão digital
Trimestre 2009/3
prof Aires José Rover

Palestra Denilson Sell
Impactos da nova geração da Web no governo eletrônico

Palestra

O fantasma da censura e o judiciário

A Associação Nacional de Jornais alerta: juízes de primeira instância fazem ressurgir o fantasma da censura. Além da censura ao Estadão, outros casos de violação à liberdade de imprensa relacionados a decisões do Judiciário, segundo a ANJ:

8/7/2008 – A juíza eleitoral Betânia de Figueiredo Batista (PA) proíbe um jornalista de comparar em seu blog a administração do ex-prefeito de Santarém à da atual, Maria do Carmo (PT)
9/7/2008 – A mesma juíza estende a decisão ao jornal O Estado de Tapajós
4/8/2008 – O juiz eleitoral Luiz Henrique Martins Portelinha (SC) manda recolher o semanário Impacto em função de reportagem com denúncias contra o prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB)
5/8/2008 – A juíza eleitoral Lilian Astrid Ritter (RS) proíbe o Jornal do Povo de veicular os resultados de pesquisa de intenção de voto para a eleição do prefeito de Cachoeira do Sul
3/10/2008 – O juiz eleitoral Luiz Henrique Martins Portelinha (SC) determina novamente a apreensão do semanário Impacto, com denúncias contra Berger
7/10/2008 – O juiz eleitoral Flávio Silveira Quaresma (RJ) manda fechar o Entre-Rios Jornal, da cidade de Três Rios14/10/2008 – O juiz eleitoral Wagner Roby Gídaro (SP) manda a Folha On-Line retirar do ar reportagem sobre Luiz Marinho, candidato à prefeitura de São Bernardo do Campo
24/10/2008 – O juiz eleitoral Luiz Henrique Martins Portelinha (SC) ordena pela terceira vez a apreensão do jornal Impacto, com reportagens sobre Berger
20/3/2009 – O juiz de direito Benedito Helder Ibiapina proíbe o jornal O Povo de noticiar processo sobre o jogo do bicho no Ceará
15/4/2009 – A 4ª Câmara Cível Isolada do Tribunal de Justiça do Pará determina que os jornais Diário do Pará, O Liberal e Amazônia evitem publicação de imagens de vítimas de morte brutal
31/7/2009 – O juiz de direito Márcio Reinaldo Braga proíbe o jornal A Tarde de noticiar sindicância sobre a suposta venda de sentenças envolvendo o desembargador Rubem Dario Peregrino Cunha.
(fonte: revista veja, set 09)

Dia do professor

"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver, naqueles cujos olhos,
aprenderam a ver o mundo, pela magia da nossa palavra. O professor não morrerá jamais".

Rubem Alves

Parabéns a todos nós professores.

O Brasil na rabeira da internet


(foto: revista veja, set 2009)

Idéias - Ética e meio ambiente

A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por atividades humanas não compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus recursos é resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo.

Nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que ela realmente é. Muita gente no passado também via a natureza como inexaurivelmente sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode ser efetivamente uma fonte inesgotável de recursos.

Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdamos, quais são nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações vindouras. Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats, animais, plantas, insetos e microorganismos da Terra. Temos a capacidade e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com nossos semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente. >> continua

Dalai Lama (Tibete, 1935 ~)

>> ver também:
Idéias - Urnas eletrônicas - fraudes e o canto das sereias
Idéias - Educação para o pensamento independente - Einstein
Idéias - As várias fomes da Marina
Idéias - Declaração Universal dos Direitos da Água
Idéias - Mudando a cultura através da rede
Idéias - Feliz Ano Novo - Frei Betto

Soja transgênica


Os ganhos obtidos com a soja transgênica agora são menores do que os proporcionados pelo grão natural (foto: revista veja, set 09)

Servidão voluntária

Em Pyongyang, norte-coreanos reverenciam a estátua de Kim Il-sung, o presidente eterno, pai do ditador Kim Jong-Il e o único morto a presidir um país. Certamente, aqui a servidão não é tão voluntária quanto parece.

Foto: Revista Veja, set 09.

Evento - 8o encontro ibero-latino-americano de governo eletronico e inclusao digital

Artigos aprovados:

E-GOV E A EDUCAÇÃO: O EXEMPLO DA TV ESCOLA
Marciele Berger Bernardes
Paloma Maria Santos
Aires José Rover

CONTRIBUIÇÕES DAS TECNOLOGIAS KDD E DW COMO FERRAMENTAS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO APLICADAS AO PROCESSO DE COMPRAS DO GOVERNO ELETRÔNICO
Aires Rover
Denise L.C. Munhoz
Francisco Fialho
Isamir Carvalho
Marcus Vinicius A. S. Ferreira
Paloma Maria Santos

DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO ATRAVÉS DA INTEGRAÇÃO DAS NORMAS ISO/IEC 27001:2006 E ISO/IEC 21827 (SSE-CMM)
Josiane Kroll, Marcos C. d’Ornellas
Lisandra Manzoni Fontoura

ONTOLOGIA PARA COMUNIDADES INFORMACIONAIS EM E-GOV, UTILIZANDO A FERRAMENTA ONTOKEM
Joseane Borges de Miranda
Juçara Salete Gubiani
Marcus de Melo Braga
Hugo Cesar Hoeschel

TELECENTROS COMO INICIATIVA DE INCLUSÃO DIGITAL: UM ESTUDO NA CIDADE DE SÃO PAULO
Gilberto Perez
Alberto de Medeiros Jr.
Fabrício Agraso Del Ducca
Gabriel Palma Smirne
Guilherme Ken Hasegawa
Rafael Rodrigues Scarpa

NIT VIRTUAL DO APL MADEIRA-MÓVEL DO ALTO VALE DO RIO NEGRO: UM MODELO DE GESTÃO DA INOVAÇÃO BASEADO NA PROTEÇÃO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL
Angélica Gorges
Claudia O. Bueno
Fabrício T. Donatti1
Tânia C. D. Bueno
Marzely G. Farias

PROPOSTA DE MELHORIA NOS SERVIÇOS DE ATENDIMENTO DE TI COM APLICAÇÃO DO COMMONKADS
Almir dos Santos Albuquerque
Tárik Kamel de Oliveira

OBSERVATÓRIO DE RESÍDUOS RECICLÁVEIS E RECICLADOS DO DISTRITO FEDERAL
Marcelo Felipe Moreira Persegona
Raquel Naves Blumenschein
Maria Vitória Ferrari Tomé
Edmar Moretti
André Luiz Moreira Persegona
Luiza Franco Dias

O SOFTWARE LIVRE E A PADRONIZAÇÃO DE SISTEMAS NO GOVERNO FEDERAL
Flávio Gomes da Silva Lisboa
Luciana Campos Mota

A IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS VIRTUAIS PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL: O CASO DA EMBRAPA
Eliana da Rosa Freire Quincozes
Gisely Jussyla Tonello Martins, M. Sc.
Maurício Fernandes Pereira, Dr.

CIBERDIREITO: UMA FORMULAÇÃO TEORICA PARA A LEGITIMIDADE DO GOVERNO ELETRONICO
Adriano de Oliveira Resende
Andrey Cesar Marques Ferreira da Silva
Antonio J. Roveroni

REDES SOCIAIS DE COOPERAÇÃO INTERORGANIZACIONAL: O ESTUDO DE CASO DO VALE DA ELETRONICA – MINAS GERAIS
Soraia de Barros Alvarenga


PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA NOS WEBSITES DOS CANDIDATOS A PREFEITO DAS CAPITAIS DA REGIÃO SUL
Sérgio Braga
Andressa Silvério Terra França
Maria Alejandra Nicolas


CIBERINCUBADORA: UM MODELO PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Américo Ricardo Moreira de Almeida
Jenilson Alves de Cirqueira


ESCRITÓRIO DE APOIO À PROPRIEDADE INDUSTRIAL: ESTRUTURA DE APROXIMAÇÃO ENTRE O TRABALHADOR-INVENTOR, O EMPREGADOR E O INPI
Claudia Pomar


COMMONKADS PARA CONTRUÇÃO DE SISTEMA DE CONHECIMENTO: UMA SOLUÇÃO PARA SEGURANÇA PÚBLICA DE SANTA CATARINA
Edson Rosa Gomes Da Silva
Thiago Paulo Silva De Oliveira
Sonali Paula Molin Bedin


SISTEMA FEDERAL DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NA MODALIDADE A DISTÂNCIA: O PAPEL DO GOVERNO ELETRONICO
Edemir Costa


O GOVERNO ELETRONICO NO BRASIL E ALGUMAS INICIATIVAS DE INCLUSÃO DIGITAL
Denise do Socorro Costa Tavares Mesquita
João Bosco da Mota Alves


A IMPORTANCIA DO CZRM PARA A IMPLANTAÇÃO DO E-GOV
Américo Ricardo Moreira de Almeida
Cejana Marques Borges
Valdicleia Menezes Ferreira


UNIVERSIDADE CORPORATIVA E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL : UMA ANÁLISE CONCEITUAL
Israel Honorino Nunes
Lourdes de Costa Remor
Roberto Martins da Silveira
Angélica C. D. Miranda
Neri dos Santos
Andréa Steil


PROCESSO DE NORMATIZAÇÃO DA EAD NO ENSINO SUPERIOR
Claudia Pomar


EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: NUMA PERSPECTIVA DE INCLUSÃO SÓCIO-DIGITAL
Carla Silvanira Bohn


SHORT PAPER

O GOVERNO ELETRÔNICO COMO EVOLUÇÃO DA GESTÃO PÚBLICA: POLÍTICA PÚBLICA PARTICIPATIVA COM OS OBSERVATÓRIOS DE SEGURANÇA PÚBLICA
Edson Rosa Gomes da Silva
Aires José Rover


REDES SOCIAIS NO GOVERNO ELETRÔNICO
Gisele Dziekaniak


A ATITUDE DOS DISCENTES NO ENSINO SUPERIOR A DISTÂNCIA
Joseane Borges de Miranda
Joni Fusinato
Alexandre Carvalho dos Reis Lima
Hugo Cesar Hoeschl


POLÍTICA PÚBLICA DE INCLUSÃO DIGITAL: AMPLIANDO OS HORIZONTES NO MEIO RURAL DE SANTA CATARINA
Antonio Marcos Feliciano
Edis Mafra Lapolli
Inara Antunes Vieira Willerding
Vitória Augusta Braga de Souza


ADVERTMAPS: UM MASHUP DOS DADOS DE ÓBITOS COM UM APLICATIVO DE MAPAS PARA APOIO AO GOVERNO ELETRÔNICO
Aírton José Ruschel
Nelson Luiz Rocha Silveira


DEMOCRACIA ELETRÔNICA NO BRASIL: PRINCÍPIOS E PERSPECTIVAS DO USO DAS TICS PELO CIDADÃO PARA PARTICIPAÇÃO NO GOVERNO
Hélio Santiago Ramos Júnior


PROYECTO GUÍA DE RECOMENDACIONES PARA USUARIOS DE BIENES Y SERVICIOS INFORMÁTICOS.
Bibiana Luz Clara
Ana Di Iorio


CONTRIBUIÇÃO DA TCNOLOGIA DA INFORMAÇÃO PARA SUSTENTAÇÃO DO MODELO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE IMPLEMENTADO NO MUNICIPIO DE CURITIBA.
Rosane Tumelero Fanchin
Ana Luiza Schneider Gondim


CONTRIBUIÇÃO DA TÉCNOLOGIA DE INFORMAÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DE UM BANCO DE DADOS APTO A GERAR INFORMAÇÕES ESTRATÉGICAS PARA A ÁREA DA EPIDEMIOLOGIA.
Angelo Roberto Massuchetto


ABORDAGEM DESIGN CENTRADO NO USUÁRIO PARA INTERFACE DIGITAL DE E-GOV
Marisa Araújo Carvalho
Aires J Rover


AMBIENTE VIRTUALIZADO DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL: PROTEÇÃO JURÍDICA AO TRABALHADOR-INVENTOR E AO EMPREGADOR DE PARQUES TECNOLÓGICOS
Claudia Pomar


PROPOSTA DE USO DE RBC NA GESTÃO DE RISCO DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NA MALHA VIÁRIA CATARINENSE
Evilásio Garcia
Rogério Cid Bastos
Lilian Elizabeth Diesel


UM ENSAIO SOBRE AS PRINCIPAIS BARREIRAS PARA A DISSEMINACAO DE ACOES DE GOVERNO MÓVEL NO BRASIL
Everson Lopes Aguiar


AVALIAÇÃO DO ALINHAMENTO ESTRATÉGICO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES
Maria Lúcia da Silva


VISÃO SISTÊMICA NA INTEROPERABILIDADE DOS SISTEMAS PARA SEGURANÇA PÚBLICA: ESTUDO DO CASO DE SANTA CATARINA
Edson Rosa Gomes Da Silva
Thiago Paulo Silva De Oliveira
Sonali Paula Molin Bedin


MUNICÍPIO 2.0: USO DE FERRAMENTAS COLABORATIVAS PARA PARTICIPAÇÃO POPULAR E TRANSPARÊNCIA PÚBLICA
Thiago Paulo Silva de Oliveira
Hugo Cesar Hoeschl
Sonali Paula Molin Bedin
Tânia Cristina D’Agostini Bueno


RESEARCH ABSTRACT


SISTEMAS SOCIAIS, TECNOLOGIAS DE CONTROLE E CIBERESPAÇO: UM OLHAR PELA TEORIA DE SANTIAGO
Alexandre Pesserl1
Marciele Berger Bernardes
Aires José Rover


EDITOR GRÁFICO DE ONTOLOGIAS PARA UM SISTEMA MULTILÍNGÜE DE PROCURA DE DOCUMENTOS
Cesar R. K. Stradiotto
Tania C. D. Bueno
Hugo C. Hoeschl


IMPLANTAÇÃO DE DOCUMENTOS ELETRÔNICOS NO SETOR PÚBLICO: ANÁLISE E VALIDAÇÃO DOS REQUISITOS DO SISTEMA.
Thiago Souza Araujo


A RELAÇÃO TRABALHADOR-INVENTOR E EMPREGADOR E A GESTÃO DA INOVAÇÃO
Claudia Pomar


GESTÃO DE CONTAS DE USUÁRIOS E DOMÍNIOS DE REDE DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA
Edival Vilar de Araujo Júnior
Estevão Thomacheski Rodrigues
Fábio Fernando de Souza
Jaqueline Oliveira Salles Gonçalves
Juliana Jenny Kolb


PREGÃO ELETRÔNICO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO: FERRAMENTA INDISPENSÁVEL EM TEMPOS MODERNOS AO GESTOR PÚBLICO
Amauri Domakoski
Denis Alcides Rezende


PARKONTROL: PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA PLATAFORMA DE E-GOV PARA ZONEAMENTO ELETRÔNICO DE VAGAS NA CIDADE DE FLORIANOPOLIS
Felipe Zurita Quadros
Felipe Carlos Rebello da Silva

Palestra - Uma ontologia para a Justiça: processos penais de crimes contra a vida

Universidade Federal de Santa Catarina
Curso de pós graduação em engenharia e gestao do conhecimento, EGC
Pós internacional sobre Democracia eletrônica
Governo eletrônico e inclusão digital
prof Aires José Rover
Trimestre 2009/3

Palestra Airton Ruschel - Uma ontologia para a Justiça: processos penais de crimes contra a vida

Uma ontologia para a Justiça: processos penais de crimes contra a vida

Palestra - técnicas de IA e governo eletrônico

Universidade Federal de Santa Catarina
Curso de pós graduação em engenharia e gestao do conhecimento, EGC
Pós internacional sobre Democracia eletrônica
Governo eletrônico e inclusão digital, prof Aires José Rover
Trimestre 2009/3
Palestra Airton Ruschel - técnicas de IA e governo eletronico
tecnicas de IA

Palestra - sistema de administracao tributaria de sc

Trimestre 2009/3
Universidade Federal de Santa Catarina
Curso de pós graduação em engenharia e gestao do conhecimento, EGC
Pós internacional sobre Democracia eletrônica
Governo eletrônico e inclusão digital, prof Aires José Rover
Apresentação Amery Moisés Nadir Júnior e Omar Roberto Afif Alemsan

sistema de administracao tributaria sc

Palestra - Sistemas Informatizados na SEF SC

Trimestre 2009/3
Universidade Federal de Santa Catarina
Curso de pós graduação em engenharia e gestao do conhecimento, EGC
Pós internacional sobre Democracia eletrônica
Governo eletrônico e inclusão digital, prof Aires José Rover
Apresentação Amery Moisés Nadir Júnior e Omar Roberto Afif Alemsan

Sistemas Informatizados na SEF SC

Legalizar o uso de drogas

foto: Revista Veja 9 set 2009

Chamem a juíza Karam!

Legalizar o uso de drogas é quebrar o ciclo das armas, da corrupção, da repressão infligida às favelas e aos pobres, do extermínio. Aos poucos, a proposta ganha espaço entre a sociedade — ainda que contrarie a lógica da vingança e do gozo regressivo, escancarada em filmes como Tropa de Elite
Ivana Bentes

Assistir Meu Nome Não é Johnny depois de Tropa de Elite é ótimo para perceber os discursos estéticos e políticos que atravessam os filmes e seus personagens, frente à questão das drogas e da violência: de um lado, o mais novo herói brasileiro, o garoto-propaganda da cerveja turbinado como Capitão Nascimento e defendendo a “moral da tropa”, a “boa” polícia que destila ódio e ressentimento contra ONGs de “menininhas bonitas bem intencionadas”, demoniza jovens que fumam maconha (“quantas crianças vão para o tráfico para esse cara fumar um baseado”), e rotula todos com a mesma insígnia de “inimigos públicos número 1”: consumidores, traficantes, policia corrupta, ONGs, todos merecem um “corretivo” dos camisas-pretas.

O filme e o personagem não criam nenhuma brecha para qualquer questionamento, a ação arrasta o espectador para um discurso regressivo e vingativo, bastante popular, de culpabilização, moralismo e terror, sintetizados na cena em que o Capitão Nascimento enfia a cara de um consumidor num cadáver ensangüentado, berrando: “veado, maconheiro é você que financia essa merda!!!”

O prazer, o gozo regressivo do personagem em estado de excitação vai produzindo uma comoção fácil na platéia. A verdade da fúria santa e da “indignação”, o mesmo tipo de denuncismo e indignados que a mídia não cessa de repercutir e incensar, com a propagação de idéias e slogans simplórios, “contra a corrupção”, “contra dar dinheiro aos pobres”, contra qualquer política que crie uma real ruptura no estado das coisas.

Narrados na primeira pessoa, os dois filmes constroem uma identificação imediata, cinematográfica, entre o espectador e os personagens-narradores, a partir desses momentos de catarse. O Capitão Nascimento excitando nosso devir-fascista, com sua expertise, frases-feitas, camisa-preta e apologia da tortura, do extermínio e celebração da morte. O terror de Estado legitimado cinematográfica e socialmente. E, de outro lado, o narrador-experimentador, João Estrela, também falando na primeira pessoa do singular e partilhando seu devir-consumidor, devir-traficante, devir-família, devir-presidiário, devir-careta, sem que nada disso seja “incompossível”, nem tenha que ser demonizado e negado.

O espectador torna-se refém da lógica do Capitão Nascimento e de Matias, que só têm um devir: arrastar à repressão, à tortura, à infantilização do preto e da caveira
A primeira vítima da narrativa de Tropa da Elite é, portanto, o espectador, tornado refém da lógica do Capitão Nascimento e de Matias, aspirante a Capitão, que só têm um devir: virar assassinos fardados e arrastar o espectador no gozo regressivo da repressão, da tortura, e da infantilização, o Bope é o “bicho papão” de preto e caveira, fantasia carnavalesca que as crianças adotaram no Rio de Janeiro, “e que vai pegar você”.

O filme cola nesse discurso de tal forma que é impossível não querer o que ele quer e não justificar suas ações. O espectador torna-se refém. Não é coincidência que o símbolo do Bope é a mesma caveira-símbolo dos esquadrões da morte. A pulsão de morte e a adrenalina, o gozo imperativo e soberano em ver, infligir e se expor a violência está presente em todo o cinema de ação comercial, numa regressão planetária que reafirma a "autoridade absoluta", o poder que normalizaria o caos e regraria a catástrofe, mesmo que utilize para isso a violência e arbitrariedade máximas. Toda a ideologia Bush, anti-terrorista, cabe aí. É o mesmíssimo discurso! A guerra infinita, a guerra total permanente.

O dualismo e pragmatismo do personagem do Capitão se repetem em cenas catárticas em que esculacha e sufoca com um saco plástico gosmento de sangue um garoto do tráfico, chutado, espancado, torturado, para passar mais informações. O filme justifica a tortura da “boa” polícia, como parte de sua expertise e eficiência. A tortura é apenas mais uma “tecnologia”, como o Caveirão, totalmente justificada, “moralmente” e cinematograficamente, como num “institucional do Bope”, como já disseram.

Meu nome não é Johnny aposta num anti-Capitão Nascimento, um anti-herói hedonista e sedutor, “no stress”, que cheira para se divertir, para amar, sem deixar de ser afetuoso, família, amigo, amante. A figura não-clichê de João Estrela sugere que o pressuposto de “um mundo sem drogas” é no mínimo hipócrita, e não leva em consideração a cultura, o desejo humano e um componente importante no cenário contemporâneo: o risco assumido e livre. Como a gordura trans e o álcool, qualquer droga seria um “direito” do consumidor. Por que não?

É sabido que o consumo de drogas não fere nem ameaça a rede social, é uma decisão, um risco individual. O consumo de drogas não seria menos epidêmico e arriscado que o consumo de gorduras, aditivos cancerígenos, miríades de estimulantes, calmantes, excitantes? No máximo, poderia ser um caso de saúde pública — não de polícia — desde que não houvesse a ilegalidade na produção e consumo.

Sobre a legalização das drogas, o Capitão Nascimento age como uma toupeira. Em Meu Nome não é Johnny, a questão aparece de forma mais interessante e complexa
São a ilegalidade e o proibicionismo que levam à criação de sistemas violentos para assegurar a produção e comércio das drogas. Grupos armados e para-militares para assegurar a produção e venda e defender o negócio da polícia e de outros concorrentes. Acertos de contas internos, zonas de controle de territórios pela violência armada, corrupção, subornos, assassinatos para assegurar a lavagem de dinheiro, cultura da delação e da traição, delação premiada, produzindo ódio, desconfiança e vingança generalizados.

Sobre a legalização das drogas, o Capitão Nascimento age como uma toupeira. Essa hipótese não existe para o personagem, nem para o filme, dramaturgicamente. Em Meu Nome não é Johnny, a questão aparece de forma mais interessante e complexa, mas não faz parte do mundo mental ou social dos personagens.

As hipóteses e explicações, nos filmes, patinam em clichês já sabidos (mas não custa repetir, Meu Nome não é Johnny é muito mais sofisticado e sutil).

Afinal, por que não circulam outros discursos sobre as drogas, como os da juíza de direito Maria Lúcia Karam ou do advogado carioca André Barros, que defendem e militam pela descriminalização, a medicalização e a legalização das drogas, com avanços gradativos?

O usuário podendo fazer uso de consumo individual, freqüentar salas de consumo, ter acompanhamento médico e controle da qualidade do produto, até chegarmos a legalização e controle do comércio de drogas, seja por empresas privadas ou pelo Estado.

Legalizar, defende a juíza, é quebrar o ciclo da violência das armas, da corrupção (da policia, de políticos, de empresários), da guetificação da violência e da repressão policial infligida às favelas e aos pobres, do uso e extermínio da mão-de-obra infantil e de jovens, da degradação da saúde, através do uso seguro. É romper um ciclo vicioso de violência já instalado.

Legalizar é acabar com a hipocrisia e combater a violência extrema e o regime de exceção e arbitrariedade legitimados pelo Estado, pela polícia, pela sociedade-anti-pobres e pelo tráfico, sócios na produção da atual barbárie.

Nem corrupção, nem omissão, nem guerra. A questão é de guerrilha, é não ficar refém do Capitão Nascimento, é minar os clichês e discursos conservadores.

Chega de vingança regressiva, chamem a juíza Karam!

original em http://diplo.uol.com.br/

Mafias farmacéuticas, de Ignacio Ramonet

Muy pocos medios de comunicación lo han comentado. La opinión pública no ha sido alertada. Y sin embargo, las preocupantes conclusiones del Informe final (1), publicado por la Comisión Europea el pasado 8 de julio, sobre los abusos en materia de competencia en el sector farmacéutico merecen ser conocidas por los ciudadanos y ampliamente difundidas.

¿Qué dice ese informe? En síntesis: que, en el comercio de los medicamentos, la competencia no está funcionando, y que los grandes grupos farmacéuticos recurren a toda suerte de juegos sucios para impedir la llegada al mercado de medicinas más eficaces y sobre todo para descalificar los medicamentos genéricos mucho más baratos. Consecuencia: el retraso del acceso del consumidor a los genéricos se traduce en importantes pérdidas financieras no sólo para los propios pacientes sino para la Seguridad Social a cargo del Estado (o sea de los contribuyentes). Esto, además, ofrece argumentos a los defensores de la privatización de los Sistemas Públicos de Salud, acusados de ser fosos de déficits en el presupuesto de los Estados.

Los genéricos son medicamentos idénticos, en cuanto a principios activos, dosificación, forma farmacéutica, seguridad y eficacia, a los medicamentos originales producidos en exclusividad por los grandes monopolios farmacéuticos. El periodo de exclusividad, que se inicia desde el momento en que el producto es puesto a la venta, vence a los diez años; pero la protección de la patente del fármaco original dura veinte años. Entonces es cuando otros fabricantes tienen derecho a producir los genéricos que cuestan un 40% más baratos. La Organización Mundial de la Salud (OMS) y la mayoría de los Gobiernos recomiendan el uso de genéricos porque, por su menor coste, favorecen el acceso equitativo a la salud de las poblaciones expuestas a enfermedades evitables (2).

El objetivo de las grandes marcas farmacéuticas consiste, por consiguiente, en retrasar por todos los medios posibles la fecha de vencimiento del periodo de protección de la patente; y se las arreglan para patentar añadidos superfluos del producto (un polimorfo, una forma cristalina, etc.) y extender así, artificialmente, la duración de su control del medicamento. El mercado mundial de los medicamentos representa unos 700.000 millones de euros (3); y una docena de empresas gigantes, entre ellas las llamadas ” Big Pharma ” -Bayer, GlaxoSmithKline (GSK), Merck, Novartis, Pfizer, Roche, Sanofi-Aventis-, controlan la mitad de ese mercado. Sus beneficios son superiores a los obtenidos por los poderosos grupos del complejo militar-industrial. Por cada euro invertido en la fabricación de un medicamento de marca, los monopolios ganan mil en el mercado (4). Y tres de esas firmas, GSK, Novartis y Sanofi, se disponen a ganar miles de millones de euros más en los próximos meses gracias a las ventas masivas de la vacuna contra el virus A(H1N1) de la nueva gripe (5).

Esas gigantescas masas de dinero otorgan a las ” Big Pharma ” una potencia financiera absolutamente colosal. Que usan en particular para arruinar, mediante múltiples juicios millonarios ante los tribunales, a los modestos fabricantes de genéricos. Sus innumerables lobbies hostigan también permanentemente a la Oficina Europea de Patentes (OEP), cuya sede se halla en Múnich, para retrasar la concesión de autorizaciones de entrada en el mercado a los genéricos. Asimismo lanzan campañas engañosas sobre estos fármacos bioequivalentes y asustan a los pacientes. El resultado es que, según el reciente Informe publicado por la Comisión Europea, los ciudadanos han tenido que esperar, por término medio, siete meses más de lo normal para acceder a los genéricos, lo cual se ha traducido en los últimos cinco años en un sobregasto innecesario de cerca de 3.000 millones de euros para los consumidores y en un 20% de aumento para los Sistemas Públicos de Salud.

La ofensiva de los monopolios farmacéutico-industriales no tiene fronteras. También estarían implicados en el reciente golpe de Estado contra el presidente Manuel Zelaya en Honduras, país que importa todas sus medicinas, producidas fundamentalmente por las ” Big Pharma “. Desde que Honduras ingresó en el ALBA (Alianza Bolivariana de los Pueblos de América), en agosto de 2008, Manuel Zelaya negociaba un acuerdo comercial con La Habana para importar genéricos cubanos, con el propósito de reducir los gastos de funcionamiento de los hospitales públicos hondureños. Además, en la Cumbre del 24 de junio pasado, los Presidentes del ALBA se comprometieron a “revisar la doctrina sobre la propiedad industrial”, o sea, la intangibilidad de las patentes en materia de medicamentos. Estos dos proyectos, que amenazaban directamente sus intereses, impulsaron a los grupos farmacéuticos transnacionales a apoyar con fuerza el movimiento golpista que derrocaría a Zelaya el 28 de junio último (6).

Asimismo, Barack Obama, deseoso de reformar el sistema de salud de Estados Unidos que deja sin cobertura médica a 47 millones de ciudadanos, está afrontando las iras del complejo farmacéutico-industrial. Aquí, las sumas en juego son gigantescas (los gastos de salud representan el equivalente del 18% del PIB) y las controla un vigoroso lobby de intereses privados que reúne, además de las ” Big Pharma “, a las grandes compañías de seguros y a todo el sector de las clínicas y de los hospitales privados. Ninguno de estos actores quiere perder sus opulentos privilegios. Por eso, apoyándose en los grandes medios de comunicación más conservadores y en el Partido Republicano, están gastando decenas de millones de dólares en campañas de desinformación y de calumnias contra la necesaria reforma del sistema de salud.

Es una batalla crucial. Y sería dramático que las mafias farmacéuticas la ganasen. Porque redoblarían entonces los esfuerzos para atacar, en Europa y en el resto del mundo, el despliegue de los medicamentos genéricos y la esperanza de unos sistemas de salud menos costosos y más solidarios.

Notas:

(1) http://ec.europa.eu/comm/competition/sectors/ pharmaceuticals/inquiry/index.html
(2) El 90% de los gastos de la gran industria farmacéutica para el desarrollo de nuevos fármacos está destinado a enfermedades que sólo padece el 10% de la población mundial.
(3) Intercontinental Marketing Services (IMS) Health, 19 de marzo de 2009.
(4) Carlos Machado, “La mafia farmacéutica. Peor el remedio que la enfermedad”, 5 de marzo de 2007 (www.ecoportal.net/content/view/full/67184).
(5) Léase, Ignacio Ramonet, “Los culpables de la gripe porcina”, Le Monde diplomatique en español , junio de 2009.
(6) Observatorio Social Centroamericano, 29 de junio de 2009.

* en Le Monde diplomatique (nº 167 - septiembre de 2009)
Artigo retirado de http://elcomentario.tv/

SAÚDE MENTAL, por Rubem Alves

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, bastar fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito.

O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele.

Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias. Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados. Já o rock pode ser tomado à vontade.

Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.